Evitai fazer aos homens aqueles favores que não podem ser feitos sem provocar iguais desfavores a outros: pois quem é ofendido não esquece, ou melhor, considera a ofensa maior; quem é beneficiado não se lembra ou pensa ter sido beneficiado menos do que realmente foi.


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francesco guicciardinievitaifazeraoshomensaquelesfavoresnãopodemserfeitossemprovocariguaisdesfavoresoutrospoisquemofendidoesquecemelhorconsideraofensamaiorbeneficiadoselembrapensatersidomenosdorealmentefoievitai fazerfazer aosaos homenshomens aquelesaqueles favoresfavores queque nãonão podempodem serser feitosfeitos semsem provocarprovocar iguaisiguais desfavorespois quemquem éé ofendidoofendido nãonão esqueceou melhorofensa maiorquem éé beneficiadobeneficiado nãonão sese lembralembra ouou pensapensa terter sidosido beneficiadobeneficiado menosmenos dodo queque realmenterealmente foievitai fazer aosfazer aos homensaos homens aqueleshomens aqueles favoresaqueles favores quefavores que nãoque não podemnão podem serpodem ser feitosser feitos semfeitos sem provocarsem provocar iguaisprovocar iguais desfavoresdesfavores a outrospois quem équem é ofendidoé ofendido nãoofendido não esquececonsidera a ofensaa ofensa maiorquem é beneficiadoé beneficiado nãobeneficiado não senão se lembrase lembra oulembra ou pensaou pensa terpensa ter sidoter sido beneficiadosido beneficiado menosbeneficiado menos domenos do quedo que realmenteque realmente foi

Quem não se sentir ofendido com a ofensa feita a outros homens, quem não sentir na face a queimadura da bofetada dada noutra face, seja qual for a sua cor, não é digno de ser homem.Se Portugal teve valor na história do mundo, não foi no esforço da uniformização, igual a tantos outros. Não foi na imposição de uma língua, de uma religião, de uma raça. A glória do império português não foi o facto de ter sido português contra as nacionalidades que subjugou. Foi ter sido capaz de ser português sem deixar de ser outras coisas. No máximo, foi ter sido português por ter sido tudo menos português. Ou quase tudo.Frequentemente tive a ocasião de observar que quando a beneficência não prejudica o benfeitor, mata o beneficiado.Bem se engana quem julga encontrar em si o bastante para dispensar os outros; e ainda mais quem pensar que os outros não podem passar sem ele.Os homens devem ser adulados ou destruídos, pois podem vingar-se das ofensas leves, não das graves; de modo que a ofensa que se faz ao homem deve ser de tal ordem que não se tema a vingança.Quem gasta sem discorrer, não se lembra que há-de morrer e que herdeiros há-de ter